" o teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer..."
[cazuza]
os segredos, minha cara, são deleites inimagináveis
sobre os quais criamos o mundo que nos caiba a exatidão de todo desconforto.
e é engraçado pensar que o mundo que tanto ofusca todo deleite ,
se restringe à escuridão da tal caverna que intitulamos inocentemente de "vida real".
se pelo silêncio das palavras ditas num segredo qualquer,
escurecemos um pouco mais nossa visão sobre as outras tantas coisas que nos cercam,
digo com a mesma franqueza de qualquer criança:
olhemos ao redor.
vivifiquemos o que no plano metafísico das palavras conturbadas faz reluzir
o tom mágico de cada suspiro....
suspiro pelo desconforto de outrora
suspiro pela pergunta respondida ou
pelo intervalo de um interrogatório.
não faça essa cara de surpresa ou de quem não entende o tom da letra...
-risos-
só quero te dizer que o segredo de todo deleite é o meio sorriso que nos assalta
numa madrugada qualquer
e nos assalta só de lembrar...
pense nisso e se delicie no segredo nem tão revelado,
mas que por um palpite bobo acreditamos ser real.
será que é real?
-risos-
queremos crer que sim.
Eu vi quando você me viu Seus olhos pousaram nos meus Num arrepio sutil Eu vi... pois é, eu reparei Você me tirou pra dançar Sem nunca sair do lugar Sem botar os pés no chão Sem música pra acompanhar Foi só por um segundo Todo o tempo do mundo E o mundo todo se perdeu...
[m.rita]
ao som de:
como disseram certa vez: "o essencial é invisível aos olhos" ...grande Antoine!
de fato só se pode ver bem com o coração
nisto reside todo deleite de um mero devaneio ou de um radiante encantamento.
o objetivo é a gratidão...
como não sentir gratidão quando por acaso é relevada a obviedade em semelhança?
e sabemos que da semelhança ao universo submerso em palavras
cabe sempre um traço encantador de existência...
pelo menos é como deveria ser.
e são tantas as essencialidades de uma "vida existida"
que muitas vezes a falta é sustentada pela impossibilidade de se compreender.
lição primária ou talvez mera orientação para este longo exercício seria a de que
não saltam dos olhos físicos as significâncias de um verbo.
o verbo somente se interpreta quando inspiramos o suspiro de um olhar.
veja a diferença gritante entre os olhos e o olhar.
é a mesma entre existir e viver, nesta mesma ordem "diga-se de passagem".
dai surge uma sucessão de paradoxos a contornarem o raciocínio complacente sobre as paixões irresistíveis do mundo e que dispensa toda forma lógica de amar.
aliás,
existe lógica em amar ou a lógica é o viver para amar?
as respostas, quando desconexas, podem conduzir por caminhos que nunca se encontrarão
ou simplesmente revelarem que o verbo deixou de ser compreendido num pouso qualquer do olhar.
numa ou noutra hipótese as essencialidades de uma "vida existida" protagonizam o próprio anonimato.
fogem aqui e acolá pela beira do quase-abismo.
o problema é que toda essencialidade (essencialmente) surge para ser notada,
conquanto invisível aos olhos.
nasce para ser inspirada em respeito ao suspiro do olhar.
se duvida, explique como alguém, algum dia, sentiu o arrepio sutil num pouso de olhar sobre o outro.
sim, eu sei que um arrepio é só um arrepio...
mas um arrepio sutil, minha cara,
é uma essencialidade sentida naquele único segundo que se transforma em todo tempo do mundo.