amor a conta gotas

[com malas viagens pra dentro de mim]




O que dizer disso tudo meu amor?
O que dizer da vida toda meu bem?
Te quero com tanta intensidade 
que é difícil não querer de nós o  pra sempre.
Mas embolamos tanto, 
que o pra sempre em nosso mundo se fez num tanto de segundos...
E a incerteza do amanhã que permanece em nós, 
desatados ou não, 
renovados ou desfeitos em um pensar qualquer nos desafia todo dia.
Sei que nos teus encantos vieste com a cara e coragem pra dentro de mim...
E agora?
Munida das tuas inseguranças 
e das minhas frustrações 
como saberemos por onde seguir?
Meu uisque sexta-feira e teu vinho a 19 pouco dizem sobre nossas aflições...
Sei que meu mundo sem você não tem graça.
É mesmice indigesta 
que enfrentariamos numa segunda sem os nós.
Por isso peço:
não me perca, 
não se perca,
permaneça em nós...
só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim...
...

fumaça

[libra em áries...]

nem sei por onde começar...
mas pra você cara leitora (no feminino só pra provocar...)
atenta a estas palavras e que há anos me dedica um espiar de trechos,
digo que tomei a grande rasteira do destino.
sabe eu?...
detentora das construções mais sóbrias da vida perfeita e invejável?
pois bem...
tombei na moda "karol-com-k" e me vi olhando para os lados como "john travolta" na famosa gif.
me vi sem ar,
arrancado num fechar de portas
e o impulso visceral de me manter transportada para aquele deleite todo reluzente,
tão inesperado, tão absurdamente repentino.
fiz inúmeros cálculos nos zodíacos,
vasculhei os trânsitos anteriores
em busca de algum sinal do cosmos sobre esse vermelho carmim
que se depositou em meus instintos mais profundos.
eu não sabia explicar.
era irracional
e racionalmente me mantinha entre saudades e necessidades mil...
o que seria de mim?
e desses nós todos que construímos
pela vulnerabilidade das ocasiões librianamente perfumadas?
eu não sabia dizer...
e a ansiedade me consumia
num querer estar repentino,
num querer permanecer pra sempre enquanto durar...
era tudo tão bagunçado
tão deliciosamente bagunçado...
era roda gigante na montanha russa da copa.
e aquela briga reativa do objetivo com o subjetivo.
a vida me colocava no objetivo...
mas meu coração era sempre librianamente subjetivo.
tanto que escolhi cazuza para me acompanhar na confissão.
e olha que a culpa podia ser de qualquer um outro...
marisa monte, marcelo camelo jeneci ou jota quest.
mas não!meu problema foi com cazuza e...:

vida louca vida
vida breve
ja que eu não posso te levar
quero que você me leve
vida louca vida
vida imensa
ninguém vai nos perdoar
nosso crime não compensa
quando ninguém olha quando você passa
você logo acha "eu tô carente"
"eu sou manchete popular"
tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
desta eterna falta do que falar
se ninguém olha quando você passa
você logo acha que a vida voltou ao normal
aquela vida sem sentido, volta sem perigo
é a mesma vida sempre igual
se alguém olha quando você passa
você logo diz "Palhaço"
você acha que não tá legal
perde todos os sentidos a não ser o perigo
você passa mal
vida louca vida
vida breve
já que eu não posso te levar
quero que você me leve
vida louca vida
vida imensa
ninguém vai nos perdoar
nosso crime não compensa...






choro

[me abrace, me dê um beijo, faça um filho comigo... "o rappa"]



sim.
estou chorando
e decidi escrever
os "porquês" desse choro...
choro pelas lembranças que construí
e por saber que essas lembranças permanecerão além da finitude da vida.
também choro pelas lembranças que não construí,
ou melhor,
pelas lembranças que não me cederam construir.
choro por lembranças arrancadas
pela violenta amnésia da separação.
e não pude porque na vida
não somos capazes de escolher
quais lembranças guardar!
porém somos capazes de decidir
quais lembranças levar !
e por isso choro...

o mar daqui


[eu só trago o mar de algum lugar comigo... b.mar.]



somos aquilo que desconstruímos
pela decisão de querer mudar o mundo.
um mundo que embora nos tenha trazido todas essas lembranças,
não foi capaz de caber,
nem tão pouco permanecer em nós.
decisões que fingiam aniquilar o contraposto,
e fornecer as resposta para aquilo que acreditávamos poder ser.
mas a questão nunca foi "ser"
e sim querer permanecer.
é como eu digo:
somos o que não fomos capazes de ser
e também tudo aquilo em que não tivemos coragem de estar.
e olha que não era necessária muita coragem...
apenas um tanto.
aquele tanto que falta para pular do trampolim
ou para nele permanecer
só para ver chegar e afastar, na ponta do salto,
as incertezas do coração.
entre tantos amores e outros tantos que não são como nós
te conto sobre este mar daqui
e sobre as ondas
que levam para longe
cacos despedaçados do nosso "não-permanecer"
e trazem de volta a esperança flutuando entre espumas.
as espumas naturalmente também não permanecem
mas ao menos presenteiam com sua leveza
a certeza de que sempre voltarão.