"quando penso em você fecho os olhos de saudade ..." [fagner /c. meireles]
a canção também se vai
em cada nota de passagem,
no tom menor que abre o refrão
e se o refrão é do coro,
de certo vem já aquilo tudo que finda a melodia...
canto meu, daqueles de encantos mil
revele tuas notas relevando de nós a outra trajetória.
imponha o breque em três batidas fortes de caixa
e encaixa o retorno em repetição expansiva,
em memórias persuasivas
e tons desarranjados.
rearranja o prumo do tempo,
realinha teus acordes entre arcanjos
acelera esse compasso que te passo a guardar em solidão...
canto meu, daqueles de danos mil
toca no improviso toda cura
alinha tua rima levando como lembrança um sorriso grato
pois se na gratidão descobrimos que tudo vale a pena
engrandeça a alma que de tanto penar
encostou na estrofe um canto de menos.
[bneubern]
Canto meu,daqueles de encantos mil,
que não baila ao som das cordas das harpas
em dedos de anjos de olhos de anil ;
e sim no som dos atabaques que troam
ao bater das mãos poderosas,
na cadência majestosa,
de rufares que anunciam :
- É hora,ora ! Ora, é hora !
Assim, mexem-se os corpos, astros que são !
E reviram o universo trazendo o que se foi,
buscando o que não foi,apaziguando o que ficou.
Sorriso : de furtivos a abertos;
Mãos: de cerradas a estendidas ;
Coração: serenado...serenado... em cantado .
"Realinha teus acordes entre arcanjos",astros que são !
Realinha teus astros,arcanjos que são.
" um homem com uma dor é muito mais elegante... caminha assim de lado, como se chegando atrasado andasse mais adiante" [p. leminski]
a canção também se vai
em cada nota de passagem,
no tom menor que abre o refrão
e se o refrão é do coro,
de certo vem já aquilo tudo que finda a melodia...
canto meu, daqueles de encantos mil
revele tuas notas relevando de nós a outra trajetória.
imponha o breque em três batidas fortes de caixa
e encaixa o retorno em repetição expansiva,
em memórias persuasivas
e tons desarranjados.
rearranja o prumo do tempo,
realinha teus acordes entre arcanjos
acelera esse compasso que te passo a guardar em solidão...
canto meu, daqueles de danos mil
toca no improviso toda cura
alinha tua rima levando como lembrança um sorriso grato
pois se na gratidão descobrimos que tudo vale a pena
engrandeça a alma que de tanto penar
encostou na estrofe um canto de menos.
"não fala do que eu deveria ser pra ser alguém mais feliz... [l. hermanos]"
...sabe...
não espero palavras finais. em verdade já não espero qualquer palavra.
entenda apenas que dentro de mim o silêncio revela o fardo de uma história. história que não escrevi nem tão pouco pude pontuar com um final feliz.
história de tudo quanto se moveu ao meu redor e eu , estática, observei de nós muitas partidas.
nesta história vejo um cenário que perpetua a prática desajeitada de esperar por agosto e o meu terrível gosto por reformas.
foi tanta tinta fresca... em azul, amarelo, vermelho e laranja.
tentei insistentemente refrescar de novas lembranças tudo aquilo que doeu e doeu muito.
mas você certamente não viu, não reconheceu e não reconheceria ainda hoje qualquer cor.
na sua brincadeira de esconder optou pelo xadrez a camuflar portas e janelas,
fez o céu cheio de estrelas que quase ruíram sobre tua cabeça corroída de opaco...
eu, do lado de fora, forcei em vão a maçaneta trancada num xeque-mate
querendo crer ... a gosto de deus.
dentro do teu xadrez você nunca observou a gota de suor salgado em lágrima que evaporava a cada tentativa frustrada de te envolver com uma manta quentinha de boas lembranças.
eu, na minha ingenuidade guerreira, acreditei que poderia fazer brilhar teu sono em verde celeste.
mas não... a mim não foi concedida a escolha da cor,
a mim não foi concedida qualquer escolha que pudesse colorir o teu xadrez...
afinal quem sou eu para alterar com a reforma de concreto o agosto de deus?
nem pense que faço desta hora o meu drama!
são apenas palavras cravadas no suor em lágrima que escorre da mão
tentando afastar o desgosto de ver de nós uma outra partida.
sei que não há perdedores.
há os que ficam e observam estáticos o movimento do grande xadrez
há os que partem em busca de uma nova jogada em xadrez
eu, inerte, parto um rearranjo novo de mobilha para sala,
parto a lembrança com tinta seca
e por saber serem suas todas a escolhas,
parto a reinvenção de um recanto para meu guerreiro.
eis o que sinto neste agosto:
um novo parto dolorido de reformas,
de tintas secas que não brilham o verde celeste
nem a gosto de deus.
"nem toda palavra é aquilo que o dicionário diz, nem todo pedaço de pedra se parece com tijolo ou pedra de giz... avião parece passarinho que não sabe bater asa... passarinho voando longe parece borboleta que fugiu de casa... borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar... flor parece a gente que somos sementes do que ainda virá..."
há quem diga sobre a prosa, sobre versos em canto, poesia e devaneios... há quem diga da tristeza, da solidão, dores mil a conter toda forma de amar...
há quem julgue o impróprio e não entende tudo aquilo que a vida gentilmente oferece...
e são tantas as perguntas viciadas pelo tédio superficial, são tantas as derrotas conquistadas pela força inutilmente medonha de não se entregar.
e o que é?
é assim: tudo está ao alcance da percepção. o tom da melodia repousa em qualquer lugar, basta seguir o fio do acaso para encontrar o significado escondido na magia.
este é o detalhe: a verdade se esconde em tudo aquilo que é sutil e imperceptível aos olhos de quem deixa o estático contaminar o que naturalmente deveria ser dinâmico
não queira dizer sobre o não saber
não queira dizer sobre o não ser
diga o que sente viva o que não pretende permita que seja arrisque-se! do contrário nunca saberá! e se assim não o fizer, ouvirei novamente dizer sobre a prosa, versos em canto, poesia e devaneios... tristeza, solidão, dores mil a te conter de amar.
e se quiser julgar que seja a si mesmo! o próprio! entenda definitivamente que a vida te espera.
esse é o detalhe: queira se descobrir e encontrar sobre o que deve repousar teus afetos soltos ao ar...
desejo a você o detalhe tão mais lindo no presente momento e que contagie todo o resto... assim as outras tantas e tantas coisas saltam aos olhos em beleza infinda. este é o desafio: receba o detalhe
nós eramos escravos de nós mesmo, cercando tudo com limites imaginários. não era questão de ousadia simplismente... era dar forma ao que nos sondava abstrato e que nos alimentava das mais sólidas emoções. o tropeço no mundo real, ainda que desenhado com tinta, significaria o rompimento destas barreiras com o cimento de "cruz-peso-sobre-os-ombros". era assim que acontecia.
eu supunha que abstrações não limitavam meu mundo apenas e que desde o princípio eu não era a única "a me exibir pra solidão"...
ocorria que os traços, nem sempre tão claros, me conduziam num "ligue os pontos" e eu buscava com a mesma empolgação da infância o contorno do imaginário, amigo ou inimigo (não estou bem certa).
por vezes tais limitações me tornavam prisioneira de mim e eu assistia a tudo cercada por grades que forjei quando das verdades que buscava me encantava um suposto "pode ser".
sim, me encantava! notei nos últimos dias que este encanto é motor de minhas letras, ainda que nem sempre bem recebidas considerando que nos olhos de quem lê se perdem por caminhos próprios.
problema latente quando penso estar encantada no giro de moinhos de vento, neste momento as inquietações por aqui parecem gritar entre falsos aplausos de gente estranha a absolutamente tudo o que sinto.
paciência!
sinto ainda que caso minhas letras liguem novamente o contorno destes pontos, o desenho lembraria o encantador "pode ser" e novamentente assistiriamos a tudo nestas grades que forjamos como desculpa para não ousarmos...
na gaveta de relicários guardo o desorganizado da memória. minhas lembranças são passadas com ferro a vapor e não abro mão da goma! quero manter o brilho dissimulado do transtorno obsessivo-compulsivo. dobro cuidadosamente cada peça que compõe o monte mor, empilho todas e num movimento reverso separo cada cor. a sobriedade azul inicia a fileira que anseia o impecável. logística aplicada à subjetividade humana.
uma duas três ... maldita geometria!
sobra espaço, falta complemento em amnésia flagrante. revejo cada peça memorável buscando qualquer retalho da cor fria. frusto-me! meus olhos resvalam no quente... repasso o vermelho, passo, e na passada inspiro o vapor. dobro as pontas e escorrego em palmas os frisos do tecido desbotado. posiciono a cor no lapso e segue enfileirada ao azul. pronto!
deixa lá! as peças pretas naturalmente buscam a perfeição.
parecem marchar como soldados em formação de confronto! uma,
duas,
três,
quatro!
impressionante! o escuro em retalho torna ausente a costura limítrofe.
não há frisos que aparecem no pano. plano perfeito! resta o branco!
goma "pra que te quero"! neutro num giro de cores, todas as cores! um giro! e gira, e brilha dissimulando no quente da máquina a vapor. as palmas afastam os frisos que se escondem em cada ponta, nas mangas
e colarinhos. um crime!
esconde tantas cores enquanto oferece um giro não tão neutro!
estelionato! de qualquer forma: uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete. pronto.
antes um relicário de fatos ao de sentimentos dos fatos lembramos entre imagens já sentimentos...
"tremi até o chão como um terremoto no japão, um vento, um tufão..."[m. jeneci]
hoje me lembrei do início da primavera e de todas as flores gentilmente ofertadas pelas cores da estação...
o verde levado para o senhor do vento cantou o que era tão mais lindo. evidenciou o desejo de ficar, viver, entregar, tudo curtido na melodia doce de sanfona soprando versos que não rimavam. o verde-folha que voou até o céu chegou a um passo do infinito, daquilo tudo que chamamos ingenuamente de realidade. digo ingenuamente pois não há qualquer realidade senão aquela que antecede o exato momento que compõe a memória do presente, a lembrança que não larga e transporta o pensamento para longe. a rosa, por sua vez, cultivada como vida quase protegida também brincou de ser ofertada. era bela, viva, singela... em tudo que lhe cabia pueril, aprontou o acaso-magia ao revelar o vinho tom malbec responsável pela embriaguez de todos sentidos. e misturou tanta coisa... fez do dia uma vida inteira, da noite todas elas. a estação corria atrasada pedindo todos os socorros postos aos pés do verão-despedida, outono-seco, inverno-saudade... ... claro! não podia faltar o laranja... o laranja poente fez aos poucos com que todos os tons, cores e sons adormecessem no silêncio da canção pra não voltar e assim era... notas em prece a sustentar o alicerce de meias verdades. digo serem meias pois se viessem inteiras o verde teria alcançado o tão almejado infinito. mesma sorte caberia à rosa malbec revestida de toda proteção digna da vida que chega e deve permanecer. o laranja por sua vez despertaria nascente seu tom abrindo a sanfona da canção pra sonhar ritmando as tantas e tantas historias que seriam contadas... e é tão engraçado pensar que o laranja poente encerra o ciclo do mesmo tom nascente impulsionado numa subida em carrossel. é caricatura da promessa de quem diz largar tudo e ir sem data pra voltar até o outro lado da montanha onde tudo começa...
[sorriso largo]
quer saber? se tudo isso parte da lembrança da estação, em algum ponto do pensamento longe houve o exato momento que antecede a memória do presente logo a realidade é posta a flor da pele e agora pouco importa se antecede o verão-despedida, outono-seco ou inverno-saudade. se é posta, certamente foi vivada e muito bem vivida! este inegavelmente é o grande legado da primavera: fruto que germina em lembrança jamais esquecida!
"a lua brilhava vaidosa de si orgulhosa e prosa com que deus lhe deu, ao ver a morena sambando foi se acabrunhando então adormeceu o sol apareceu...
um frio danado que vinha do lado gelado que o povo até se intimidou... morena aceitou o desafio sambou e o frio sentiu seu calor e o samba se esquentou...
o mar serenou quando ela pisou na areia quem samba na beira do mar é sereia...
a estrela que estava escondida sentiu-se atraída depois então apareceu, mas ficou tão enternecida indagou a si mesma: a estrela afinal será ela ou sou eu?"
[clara nunes]
samba, zabumba, batuca teu mar...
bole tua terra que remexe de sal o sorriso embriagado de suor.
ginga o batuque da morena só pra acabrunhar a lua
que assistiu um vá-pra-lá-e-pra-cá da cintura,
brincadeira boa de alunissar.
cadencia no peito a promessa
e no gingado de balanço leva sonho pra longe.
emana a luz nesse molejo pra alumiar de esperança a terra
porque na dança de batida bumbo, tantos sorrisos se abrem em braços
largos.
carrega o estandarte da alegria pra abençoar a gente do mundo
e bora zabumbar o mar...
bora batucar o samba...
que no sal de suor a terra também borlole sorrindo,
ginga a lua acrabunhada da morena de batuque
e a cintura remexe cá-pra-lá-pra-cá
alunissando assim a boa brincadeira.
acelera o peito com a conquista trazendo no balanço a ginga de realidade
bem vinda...
firma a esperança na terra pra espantar o escuro com molejo
porque se no bumbo a batida da dança brinca
é no abraço do xote que o sorriso silencia
emudecido de alegria dessa gente abençoada de vida
"você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.
melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você."[marcelo jeneci]
[pic by bneubern]
até a felicidade bate a porta quando sucessivas vezes vê seu bom convite negado.
do lado de lá o temor do ósseo típico de quem somente na guerra encontra qualquer ofício flagrantemente impera.
tanta dor a impulsionar a fraca inspiração acaba por engessar toda sorte de vida que aos poucos se esvai com a terra seca.
se somos feito para acabar, a nós ao menos cabe a escolha dos passos.
se assim não fosse, teríamos nós a voz calada pelo silêncio dos poetas que perderam suas letras num grito de vitória democrático.
os tais que acenam negativamente para a libertação, como se esta fosse a grande vilã de toda história, deixam em si marchar sangue venoso na tentativa covarde de verem reinventada a doce ditadura.
"quem nos diz então da pergunta que emudece o coração?"
por serem tantas as dores e alegrias, não cabe num único querer a certeza do impossível, nem tão pouco o conformismo de quem deixa a felicidade bater a porta.
para isso temos os pés...
impedem o fechamento quando se posicionam entre o querer e o conseguir,
este é efetivamente o passo a ser tomado.
em certa ocasião escutei o conto do homem que tinha um rabo.
inicialmente pensara ser furúnculo, uma espinha, um cabelo encravado, mas não...
era efetivamente um rabo.
sofria com as possíveis perseguições que viriam, possíveis zombarias e eram tantas possibilidades que ele mesmo se fechava e não permitia qualquer aproximação.
da mesma forma experimentou o espanto de sua esposa ao perceber que era par de um homem com um rabo.
não conseguia entender seu triste "destino" traçado pela aparente anomalia que crescia com o passar do tempo.
inicialmente enrolou em volta do próprio corpo tentando escondê-lo, assim ao passo que escondia seu rabo parecia mais gordo...
mas o homem não era gordo.
conforme os dias passavam percebia que nada podia ser feito, então contava com a ajuda da esposa, ótima costureira por sinal, para preparar o modelo de calça mais adequado à situação.
com o tempo o grande vilão rabo tornou-se também um grande companheiro...
abria a geladeira,
apagava a luz,
buscava o controle da televisão
e até balançava animado com a felicidade de seu dono.
todos que conviviam com o homem do rabo já estavam habituados com aparente anomalia e em verdade o rabo, inicialmente vilão, era também a diferença que atraia curiosos e revelava alguns novos amigos.
o homem do rabo sempre racional e se permitindo à felicidade mesmo com a tal anomalia, pensava pragmaticamente que a natureza assim decidirá por dar a ele a oportunidade de se sentir único, especial.
esses desdobramentos práticos do rabo levaram o homem a praticar o pensamento conclusivo em muitos setores de sua vida, foi assim que o mesmo destino traçado pela história de um rabo revelou novos amigos, tornou um homem comum especial por saber ser diferente e permitiu manter aberta a porta da felicidade.
a única coisa que perturbava vez ou outra a tranquilidade do homem do rabo era o jogo de futebol com os amigos no fim da semana...
afinal o goleiro do time tem sempre muita responsabilidade.
"todos os dias é um vai-e-vem a vida se repete na estação tem gente que chega prá ficar, tem gente que vai prá nunca mais...
tem gente que vem e quer voltar tem gente que vai, quer ficar tem gente que veio só olhar tem gente a sorrir e a chorar e assim chegar e partir...são só dois lados da mesma viagem, o trem que chega é o mesmo trem da partida...
a hora do encontro é também despedida a plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar é a vida desse meu lugar é a vida..."
[m.nascimento]
[pic by bneubern]
"chegar e partir"...
esse é o movimento contínuo da vida
que se encaixa e se deixa encaixar em outras tantas.
o dinamismo digno da visão trimensional que tende à contemplação de fatos alinhados aos valores íntimos de cada ser passante tão logo ausente.
assim inicio o derradeiro suspiro de toda viagem... inicio o término do que aos poucos se transmutou e fez chegar a partida...
acelerou o passo do choro, secou toda lágrima
e desacreditou a própria fé.
vejo o viajante inerte no vagão. no seu referencial olha pela janela e percebe que a vida lá fora se renova a cada curva.
os olhos atentos às renovações logo constatam que a visão limitada à moldura, guardiã da beleza, é a mesma que evidencia o conformismo de quem espera a chegada... aguarda sentado a próxima parada!
lá permite em moldura a espera de outra gente e entre tanta gente deixa na moldura o viajante da estação...
pra esse, o tempo é medido com vapor de fumaça.
prende o ponteiro de roda deixando partir o todo no tanto de espera...
e o que espera? a chegada de partir?
não se esvazia do ruído ao longe e deixa de escutar toda gente neste tanto de espera...
não descarta a desculpa inútil de quem anda atrasado ainda que o atraso quase sempre movimente quem deixou de chegar.
mas como chegar? noto que partir é também chegar
ainda que em outros tantos lugares...
é partir para retornar
desdobrando no mesmo tempo o ponto de chegada e partida. essa é a triste sorte do viajante condutor que proporciona a beleza em moldura
medindo o espaço de fumaça no tanto de espera.
e quem o espera?
a chegada de partida
que acelerou o passo riso, secou toda alegria e acreditou a própria descrença.
" e olhar pra ela não deu, a flor nunca colheu, ainda pensa que é feliz... pára vê se anda de mão dada, procura tua vida que tá lá guardada só até amanhecer... [karallargá]"
[ pic by bneubern]
qual são as cores que permitirão alinhar tua brincadeira?
não entende?
pois explico:
os limites racionais não são responsáveis pela derrocada e sim o que afronta o sentimento vivo, tira a alegria das cores mandando para o canto o que deveria ser harmonioso e singelo...
vê as cores no chão?
entende ser triste o abandono da brincadeira?
não seria se tivesse a capacidade de contemplar o que está suspenso e aguarda a vinda da criança inocente, pequenino dono da harmonia de pensamento selado em branco.
branco sim... porque se espanta com a escolha?
o branco da paz gira todos os tons atraindo fragmentos soltos...
não tenho a menor intenção de explicar o que sei ser lógica irracional aos teus olhos, filosofia rasa embaixo da xícara de café, como queira...
na verdade não tenho qualquer intenção que não seja a de rascunhar o que não pode ser entendido por simplesmente ser imperceptível aos teus olhos.
sendo assim fico livre para escolher a tecla mais adequada à situação e dizer sobre o detalhe que torna as coisas tão mais lindas...
a brincadeira faz da letra um mundo
da roda corrente de afeto indestrutível
da lembrança esconderijo
da boneca de pano amiga inseparável
de nós o que escolhemos não ser...
a certeza que me toma agora é o que o termo brincadeira te causa profundo incômodo
acertei?
...
esse talvez seja mais um detalhe-fragmento-solto que precisa do branco
brincadeira tem brinquedo,
brinquedo pequeno dono,
dono grande amor
gira gira que vem branco novinho a ser preenchido com os contos que escolher
gira
gira
gira
mas preencha com amor na brincadeira que tem brinquedo do pequeno dono
preencha pequeno dono com o amor de brinquedo pra engrandecer a brincadeira
preencha brincando com o pequeno brinquedo que é teu grande dono
preencha com pequeno amor dono da brincadeira que é teu maior brinquedo
preencha com amor dono do pequeno
gira
arranque a vírgula dos teus olhos e queira toda tontura bem vinda...
escolha tuas cores
e na tontura do giro alinhe tua brincadeira com amor
eu realmente acho lindo essa coisa de duas pessoas não quererem
nada que seja bom no mundo além de uma a outra. e eu queria
você, muito. o querer mais bonito que pode existir era seu, só
seu. [caio fernando abreu]
[pic by bneubern]
era música...
aquecia o peito de invasão bem vinda destes acordes
companheira da dança mais bonita,
aquela que acalma
lava a alma como chuva no tanto de tempo certo.
era a mais linda melodia do dia...
de todos os dias
fazia voar celeste longe do solo seco da terra,
fazia flutuar leve a manobra em sorrisos,
em olhares vibrantes de cada acorde da vida.
sutil envolvia com encantos
sabia que o bocejo preguiçoso ofereceria gentilmente
a curvatura delicada das costas,
desenho de pauta a guiar o refrão tão desejado de seu beijo.
criava a batalha mais doce para guerreiro rendido em amor
se divertia ao ver que toda armadura-armagura
brotava flor nascida em seu ventre
solo fértil.
senhora do tempo, compassos, pausas, passos...
teu ritmo é responsável pelo escoamento da maré
e a calmaria esperada pelo navegante
sorri mais uma vez!
é o que deseja o musicado dos teus acordes
para voar
que toda gente foi feita para isso
para secar
que toda gente foi presenteada com o vento.
e musicando assim toda vida,
teu guerreiro se rende mais uma vez
é vassalo porque devolve a ele a alegria da composição