beleza morta


"quando percebe o desgosto do gasto
e gosto da farsa disfarça que não tem tamanho
nem foco, nem brilho, nem alma, nem cor
e ainda desmente que medo não sente
que tudo é pecado e nada é perdão
felicidade reinará e o dia raiou
tudo em claro e viva cor, o sol em meu mural
desbota a minha dor... felicidade reinará" [m.c.acajú]



[pic by bneubern]



submersa na beleza morta que te envolvera, 
ela chorou pelos tais
fez-se solidária ao sentimento forjado inutilmente em solidão 
sendo a mesma de todas as bençãos, 
escolhas
e arrependimentos que sabia não serem tantos assim.
a cada segundo de sua jornada 
via o contorno das cores artificiais 
tentarem contra seu peito fortificado em pura fraqueza.
e por ser a mesma, a condenação não a faria solitária
por não haver destino que não se faça 
nem caminho que não se possa percorrer
entendia a angústia do tempo 
que na piada sentou-se à mesa sobrecarregado de tantos 

dissabores
e assim o via remendar o enredo abandonado à própria sorte.
que sorte?
não queria responder aos gritos de azar
e este infiltrava malicioso no contorno daquelas cores
de beleza morta,
rejeitava o brilho próprio que guardava 
"desperdiçando luz de manhã num copo de café"
mas era solidária.
o sentido de tudo dependia do sentir
e assim propunha
até que lhe fugisse o fôlego
da sobrevida que restava 
e não queria. 
queria ser infinda em cada contorno
queria o sorriso, não o desgosto
queria tantas coisas!
e de tanto querer pôs-se a caminhar
caminhou apontando para a fé
passo a passo
nua do conformismo escondido em mera existência
a evidenciar a morte de toda a beleza.
passo a passo
fez trilhar o escolhido destino
até a dobra da sorte que calava
assim
velou a morte da beleza
e deu luz ao movimento em vida.