[pic by bneubern]
qual não é a surpresa destes dias de sol e nuvens negras?
é chegada a hora certa!
eles são a revelação do acaso e o mago dos tempos tratou de desenrolar o crepúsculo delegando teu nome ao que de tolo transmite-se em puro delírio.
ri agora se desfazendo em pouca nobreza, derriba teus muros entregando o império fadado ao fracasso agressivo das cores mortas contrastadas pelo verão.
agora pouco lhe assombra o manto negro da noite porque foi o rompimento do cinza que sobrestou a prova irrefutável da inexatidão dos cantos.
inexatidão compassada em som de sino-paixão que balanga cansado a marcha do carnaval.
inexatidão da ausência de cor imposta pelo barulho da chuva, fogo e mar.
é chegada a hora!
o derradeiro canto, desencanto dos fracos.
não alivia a cura que escapa das mãos unidas em amarras.
reza.
implora por redenção, mas tenta teus deuses com cuspe de saliva no centro da cara, inclina a cabeça para esquerda e estende as mãos amarradas para este mesmo lado.
por isso não alivia a cura.
a palavra da boca já não transmite teus sinais nem tão pouco purifica os caminhos. vai divagando a cantarolar o desconforto perpétuo que condenou os campos nunca antes floridos.
e não escolheu.
é peça marcada num tabuleiro de pedra que não edifica.
por isso não se livrará das amarras nem tão pouco dos nomes e gritos que desfiguraram a face, olhos e raízes.
geração desenganada, escolhe a sorte dos pobres de contorno e deixa ruir como os muros do império.
é chegada a hora! faz sol com nuvens negras.
o mago do tempo os chamou entre delírios e confissões vai desenrolando o crepúsculo.
agora.
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