quebrante




"faço essa canção pra te acalmar esteja morena, você aonde for...você sabe bem onde fica toda dor, morena.
a chuva e um tanto de tempo pra molhar, vento que bate pra a gente se secar[...]que a gente na vida foi feito pra voar e o vento que bate pra a gente se secar..."
[m. camelo]


[pic by bneubern]

[eta vento esse de sacode bandeira, bagunça mar,
tufão roda ciranda gira vem vai pra sonhar
a menina da lua cantou não pode parar
então toca a dança ciranda que voa rindo barulhar...]


[vento rodamoinho gira pião na toca do mundo
gira branco cor carrossel pra soprar em sonho profundo]


[toca flâmula vai vem que a gente chega pra lá do além 
que tudo acontece girândolas num por do sol sem ninguém]



era tarde, não a de sol poente porque se fosse saberia que na roda de ciranda a toca da cura crepita quente em fogueira regada de canto e dança. por dissimular o "não-saber" era tarde.
a despedida forjada em encontro escutou os sons de uma nova cidade, correu a prece com o vento e não escondeu que se fez alvo fácil para as cores da estação.
o mar trouxe mimos de acaso, levou para terra do nunca, para sons que transbordaram das águas e tratou o juízo como náufrago.
o silêncio se pôs a gritar, clamou por beijos silvestres colhidos de suas luas. estava exausto de lembrança, do peso de bagagem. queria a janta farta para encerrar toda fome de gosto e mal sabia que a fartura seria posta em mesa redonda talhada em lei de ciranda.
o mar cheio de lua aliava-se aos redemoinhos e neles entregava por acaso tesouros, devolvendo pouco a pouco cada gota de fragmento daquele náufrago.
até o pequenino viajante foi ofertado entre ventos com flores de cativo. era lembrança viva do tempo dedicado à colheita, do relicário escolhido para caber no eterno.
os sons transbordavam daquelas águas, tratavam de lavar a concha da mão em sinal de batismo... batismo do silêncio enquanto palavra de saudade.
ventava...ventava muito para secar, para girar a ciranda em carrossel e fazer terremoto em cada pisão de pé. e foi assim que o convite já não tão sutil perdeu seu par cirandando dentro da roda, rodopiando com a dança de regar fogueira. aquela que segura a nuca com a concha da mesma mão que em cumbuca reúne gotas de náufrago em sua completude.
já era tarde. aquela de sol poente em que o silêncio contemplava calado com o beijo colhido de suas luas e cirandava na roda da cura aquecido pela fogueira regada de canto e dança.


"faço fogueira, choro, canto e danço"
[ moska ]