sobre bruxas e fadas


 






"poque se chamava moço, também se chamavam sonhos
e sonhos não envelhecem..."








[pic by cris peres]


para minha grande amiga

menina larissa finocchiaro



[então insistimos em repetir o que já sabíamos...
olhávamos para o tempo como telespectadores de nossas próprias vidas.]



o verbo impõe limites aos sentimentos...
o caminho dos pés firmes ao chão é traçado no vômito da prosa que voa na cabeça.
este lapso da memória traz viva a lembrança de que não há condenados à solidão, 
em verdade é opção para quem teme conhecer mais um ausente.
a gargalhada de agora se forma pelo mesmo dedo propulsor das cócegas da contraditória piada,
é o mesmo que cutuca
é o mesmo que escolhe:


ficar


ou


partir.


meu caro augusto me faz inspirar o ar fático e expirar o sorriso em loucura, assim é:


a mesma mão que apedreja o ausente que parte
é a mesma mão que afaga o presente que fica, 
é a mesma que agarra o ausente insistindo para que fique
é a mesma que empurra o presente que deseja chegar


disso se faz vida e muito bem vivida, 
afinal
quem disse que só devem ser postos à flor da pele o que nos faz sorrir?
a mesma gravidade a provocar dores de cabeça em newton
é a que leva a lágrima do olho à boca e a empoça nos sulcos do sorriso,
dá causa a este vôo de idéias que pousam no vício do verbo,
é a mesma gravidade que traz o tempo como experiência 
e abranda a partida dos que ainda chegarão.
...
grave mesmo é saber que quem chega sempre se faz presente.




[pic by bneubern]



"foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante" 
[o.p.p.]
"o maior equívoco possível, seria tenta identificar uma fada para se obter um favor...
além das situações por demais embaraçosas que provocaria,
estaríamos fechando as portas do acaso
que é pai de toda a magia.
a única coisa que nos resta é viver a vida de destino incerto
tomando cuidado com nossas palavras de condão
capazes de desmanchar e realizar sonhos"
[andré cantu]


lua, flor, vento.













 "mistérios dessa clareira que há a luz de iluminar"



[em resposta "a noite" m. camelo -http://letras.terra.com.br/marcelo-camelo/1863557/]
...e me disseram ser una pois era única, absoluta.

minutos antes e sem qualquer maldade alguém explicou revelando os mistérios de uma noite mal dormida que estávamos no escuro.
sim estávamos, contudo a luz que iluminou a clareira desdobrou os segredos do tempo e a realidade doce de simplesmente saudar o sol...

nascente, poente, permanente.

digo permanente por ser a estrela central de um movimento que se rendeu inerte quando passamos a não mais viver tristes nem tão pouco só de solidão. 

[pic by cris peres]
eu vim, eu vi e digo: é bom demais!

soube que poderia navegar e ir a qualquer lugar por assim ter me sido permitido conhecer a secreta máquina do tempo: uma casa... um lar!

naquela casa naveguei como una, única, absoluta criança convidada a contemplar e sentir a grandeza do coração materno que bate teimoso em passos firmes, pulsa protetor e se deixa fincar com uma marca: 
meu lar!

quando de um longo passeio retornei com olhos doentes e carregados de sal pela falta de voltar, o reconheci!
era a marca fincada com o pulso firme, protetor e materno de quem sempre guardou meus passos

e me disseram: una, única, absoluta... 

então... frente à rendição do movimento que restou inerte em algum ponto do giro em torno da estrela central, ela reinventou o tempo...
mostrou a mistura "entre sempre e o instante" curtida no seu caldeirão para lançar o feitiço que deu graça nova ao conto.

cassandra esteve aqui para ver dormir a noite revelando-se una, única e absoluta...

e me chamou pelo nome:
- Una! minha sempre única e absoluta 

eu sorri agradecendo com os olhos curados, carregados de sal e de mãos dadas voltamos a navegar sob o sol...


nascente, poente, permanente. 


...e me contava: Una... por ser única, absoluta...




em constante conspiração [pic by bneubern]