suspensa
e eu fiquei assim... suspensa sobre a paisagem que se revelou diante do acontecimento.
tratava-se de um silêncio ensurdecedor, enquanto todos meus pensamentos gritavam :
-o que é que foi de nós?
eu esperava [esperançosa] alguma reposta que viesse com o vento.
....
silêncio.
alguns me perguntavam insistentemente:
- o que foi? o que ocorre?
eu respondia sem compreender também:
- apenas uma tristeza profunda.
e era tão difícil descrever o que havia...
era um pesar profundo pelo que não foi, nem nunca teria sido.
eu infelizmente sabia de todos possíveis desdobramentos daquela subjetividade tão subtraída de si.
e insistiam:
-o que foi? o que houve?
eu respondia sem querer compreender:
-uma tristeza profunda e me deixe!
felizmente eu sabia que a ausência de palavras impediria o escândalo agressivo de leitores desatentos.
suspensa, permaneci sendo indagada:
-o que ocorre? o que há com você?
silêncio...
me calei quando minha cabeça pendeu para a esquerda em sinal de reflexão.
-pois me deixe aqui!
respondi sem paciência.
e continuei...
-por que raios está me sendo subtraída também a possibilidade de sofrer? não me basta a subjetividade que fora arrancada de mim nessas escolhas loucas da vida a nos surpreender?
hipocrisia????
não seja estúpido!
trata-se de nós... de mim. do fardo pesado dos últimos meses, anos, décadas e séculos que definitivamente não vão passar...
e eu ali suspensa... brigando com o vento, tempo e deus.
o evento morte pouco me importava.
juro!
o problema era o que antecedia a ele.
o sofrimento de um ser que há muitas internações estava perdoado.
e eu pensava em silêncio:
-por que meu deus? por que?
deus não me respondeu...
e eu não estava braga com deus.
frise-se!
estava apenas suspensa...
estava sem querer contemplar os detalhes mil de toda uma vida.
foi como eu disse, era uma tristeza profunda e eu suspensa por ela.
eu suspensa nela.
por quanto tempo?
"não sei.... só sei que foi assim"
suspensa.
....
ps: e assim renovo as palavras da sustentação.
altero a conjugação dos verbos inserindo todas as reticências...
que continue...
e continue...
e me sustente em outro dia talvez...
...
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