suspensa

"cubra-me com seu manto de amor, guarda-me na paz deste olhar. cura-me as feridas e a dor, me faz suportar. que as pedras do meu caminho. meus pés suportem pisar, mesmo feridos de espinhos, me ajude a passar. se ficaram mágoas em mim, mãe, tira do meu coração e aqueles que eu fiz sofrer, peço perdão. se eu curvar meu corpo na dor, me alivia o peso da cruz, interceda por mim, minha mãe, junto a Jesus" [n. senhora]




e eu fiquei assim... suspensa sobre a paisagem que se revelou diante do acontecimento.

tratava-se de um silêncio ensurdecedor, enquanto todos meus pensamentos gritavam :

-o  que é que foi de nós?

eu esperava [esperançosa] alguma reposta que viesse com o vento.
....
silêncio.

alguns me perguntavam insistentemente:
- o que foi? o que ocorre?

eu respondia sem compreender também:
- apenas uma tristeza profunda.

e era tão difícil descrever o que havia...
era um pesar profundo pelo que não foi, nem nunca teria sido.

eu infelizmente sabia de todos possíveis desdobramentos daquela subjetividade tão subtraída de si.

e insistiam:
-o que foi? o que houve?

eu respondia sem querer compreender:
-uma tristeza profunda e me deixe!


felizmente eu sabia que a ausência de palavras impediria o escândalo agressivo de leitores desatentos.


suspensa, permaneci sendo indagada:
-o que ocorre? o que há com você?

silêncio...

me calei quando minha cabeça pendeu para a esquerda em sinal de reflexão.


-pois me deixe aqui!
respondi sem paciência.

e continuei...

-por que raios está me sendo subtraída também a possibilidade de sofrer? não me basta a subjetividade que fora arrancada de mim nessas escolhas loucas da vida a nos surpreender?

hipocrisia????

não seja estúpido!

trata-se de nós...  de mim.  do fardo pesado dos últimos meses, anos, décadas e séculos que definitivamente não vão passar...

e eu ali suspensa... brigando com o vento, tempo e deus.

o evento morte pouco me importava.

juro!

o problema era o que antecedia a ele.
o sofrimento de um ser que há muitas internações estava perdoado.

e eu pensava em silêncio:
-por que meu deus? por que?

deus não me respondeu...

e eu não estava braga com deus.
frise-se!

estava apenas suspensa...

estava sem querer contemplar os detalhes mil de toda uma vida.


foi como eu disse, era uma tristeza profunda e eu suspensa por ela.
eu suspensa nela.

por quanto tempo?

"não sei.... só sei que foi assim"

suspensa.





....

ps: e assim renovo as palavras da sustentação.

altero a conjugação dos verbos inserindo todas as reticências...

que continue...

e continue...

e me sustente em outro dia talvez...

...











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canta para mim qualquer coisa assim sobre você...