| [pic by bneubern]
"sei que o vento que entortou a flor
passou também por nosso lar
e foi você quem desviou
com golpes de pincel"
[l. Hermanos]
|
as palavras têm poder para arrancar sorrisos, lágrimas,
para escancarar sentimentos e insinuar segredos.
elas unem, separam,
levam daqui para lá o que há em toda intenção, boa ou não.
dai a importância de cuidar do que é dito.
em todos os sentidos possíveis.
"tomar conta" daquilo que dizemos ou recebemos por meio de cada sílaba.
se edifica, que seja cultivado porque é como um combustivo pra alma.
fortalece elos, aproxima mãos, corações...
esquenta o rosto como se fosse chá quente num dia frio.
se destrutivas... bem...
por vezes jogo fora...
por outras deixo num canto esquecido.
como aquela gaveta em que abandonamos coisas inúteis
mas que por alguma intuição absurda
sabemos que um dia pode ser a hora de ir lá dar uma espiada.
não pense com isso que estimulo o rancor.
nem tão pouco sugiro trancafiar insultos ou agressões.
isso definitivamente faz mal,
cheira mal porque apodrece a alma.
me refiro ao exercício de zelar pelo bem,
ainda que para isso tenhamos que
vez ou outra
abrir a gaveta torta das coisas inúteis.
porque se a palavra não nos foi útil uma vez,
que ao menos traga algum discernimento.
faz parte do contínuo trabalho de reciclar desafetos,
de calibrar olhos e ouvidos
para o que nos é doce, leve.
no tom certo para construir novos caminhos,
novos destinos trilhados pela escolha de mudar o rumo,
o "rumo da prosa".
e é tão fácil reconhecer a palavra bem vinda
é tão fácil dizer a palavra bem-dita
basta observar o canto da boca
brotou algum sorriso?
pois é...
eis o maior sinal:
a gratidão.