silêncio de condão

por um acaso o silêncio sempre diz tantas coisas...




e por que devo dizer? me perguntaram...
respondi como quem pede colo:
palavras concretizam sentimentos, por isso a noiva vira esposa quando diz "sim".
não era um pedido de casamento, era um pedido apenas.
dê-me palavras e eu concretizo sentimentos
os olhos negros que insistiam em se calar, brilharam como faróis indicando uma nova direção
eu só precisava de um farol, um norte...
pasmem
encontrei no silêncio do olhar o tracejado sutil de linhas pretas a contornar sentimentos que gritam.
se antes uma cegueira passageira, 
escolho o escuro vitalício a ser desvendado.







o ar me escapa mas não me falta 
meu coração demonstra no pulso que ainda tem sorte. 
um frio sutil circula meu pescoço e cala minha boca. 
palavra não me falta mas me escapa...
presa no sufoco da garganta canta em prosa o que acalanta: 
um frio sutil arrepia meu pescoço e molha minha boca. 
o paladar me falta mas o gosto não me escapa...
o tempero da palavra faz sumir todo o ar. 
a sorte do meu coração se lança no pulso que escreve. 
escreve sobre o que pulsa, pulsa pelo que ouve, delicia-se do que bebe. 




e por que duvida? 



o mesmo broto em flor que se exibe na pose, está abrindo diante dos teus olhos agora! 
se eu não apertei o botão que o capturou , tome o que vejo pelo que sinto e sinta o detalhe deste meu mundo aqui.
não... de fato não o capturei com meus dedos, separei de um todo de cores pra te mostrar a que mais me agrada.

não... não falo do amarelo, verde, azul, branco ou preto falo da cor do que nasce,  do que se move ...  mesmo quando estático na tela que o publica e por que duvida? a dúvida rouba minutos do que naturalmente é dinâmico. então digo para que veja o nascer que não capturei, use o que sinto e descrevo neste detalhe que brota em movimento contínuo... queira ver... estou te mostrando. 



do teu silêncio tiro palavras pra dizer o que quer ouvir 

gosto das chuvas de março...


gosto quando o quente do verão dá lugar ao gelado da água, anuncia que novas estações virão com suas letras em cores, letras do seu silêncio que não me cala.

minha saudade repousa em tudo aquilo que ainda não vi.

meu sorriso se abre quando sinto falta, a tua falta.
quando me cerca com teu silêncio em letras d'água cristalina vejo firmar a promessa de vida que a chuva de março nos trará.
no teu silêncio encontro o tom maior das minhas palavras e deixo que escorram a compor essa nossa chuva, nosso pacto. então digo para que deixe chover...
pise no som das folhas secas, beba o cheiro do chocolate quente sinta o gosto das flores em seu perfume viva apenas, nossa magia te fará imune às mesmices cotidianas.
viva.