depois de ana



[... diz quem é você pra me dizer pra não voar, se é você só ar e eu vendaval? inspirado l. fressato]
deixa eu invadir tua solidão?
o que quero dizer é que pessoas que conseguem racionalizar toda subjetividade,
sofrem pela ausência dessas percepções que nos são tão preciosas.
não, não me refiro  ao desacelerar do passo pra chegar onde não sabemos bem.
me refiro às bolhas de sabão suspensas entre salas, num entardecer qualquer.
não, não são aquelas de sem ana blues, ainda que a escolha do blues seja a mais acertada.
me refiro àquelas entre cem anas, mais infindas perguntas desses afetos tão ausentes num mundo de concreto.
ou seriam desafetos?
o fato é que entre e caios e anas, reside todo caos
e a solidão acaba sendo o refúgio da alma,
disfarçada pelas tais bolhas de sabão suspensas...
e é preciso ficar assim...
suspensa sobre o mundo.
do contrário a intensidade dessa coisa toda,
essencial à própria existência,
serviria como a desculpa do tolo.
entende o que quero dizer?
não?!
eu explico:
nesse momento invado tua solidão
e você se protege dela
e fica suspensa com essa sensação de
tentar-respirar-um-ar-que--se-ausenta.
é sobre isso que falo.
porque somente as pessoas com
essa-tal-marca-ana
podem entender o que as palavras efetivamente querem dizer...
ainda quando são caladas pela preciosidade de um olhar.
olhar sobre o mundo...
olhar sobre o outro...
e sobre as cem anas que dentre todas,
uma piscou sutilmente para retardar a finitude de um momento qualquer.
é como digo:
- depois de ana minhas aflições nunca mais foram as mesmas...
porque de fato entre caios e anas há um tom de caos
e no caos...
nossas bolhas de sabão suspensas em solidão...