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| [pic by bneubern] |
nós eramos escravos de nós mesmo, cercando tudo com limites imaginários.
não era questão de ousadia simplismente... era dar forma ao que nos sondava abstrato e que nos alimentava das mais sólidas emoções. o tropeço no mundo real, ainda que desenhado com tinta, significaria o rompimento destas barreiras com o cimento de "cruz-peso-sobre-os-ombros". era assim que acontecia.
eu supunha que abstrações não limitavam meu mundo apenas e que desde o princípio eu não era a única "a me exibir pra solidão"... ocorria que os traços, nem sempre tão claros, me conduziam num "ligue os pontos" e eu buscava com a mesma empolgação da infância o contorno do imaginário, amigo ou inimigo (não estou bem certa).
por vezes tais limitações me tornavam prisioneira de mim e eu assistia a tudo cercada por grades que forjei quando das verdades que buscava me encantava um suposto "pode ser".
sim, me encantava!
notei nos últimos dias que este encanto é motor de minhas letras, ainda que nem sempre bem recebidas considerando que nos olhos de quem lê se perdem por caminhos próprios.
problema latente quando penso estar encantada no giro de moinhos de vento, neste momento as inquietações por aqui parecem gritar entre falsos aplausos de gente estranha a absolutamente tudo o que sinto.
paciência!
sinto ainda que caso minhas letras liguem novamente o contorno destes pontos, o desenho lembraria o encantador "pode ser" e novamentente assistiriamos a tudo nestas grades que forjamos como desculpa para não ousarmos...
!
digo e grito!
não me tenha como o incerto!
me tenha apenas...
se eu te permitir, se me permitir e se permitir.
permita que seja, esse é meu detalhe!
o que há de errado com este mundo aqui ?
diga você...
há algo errado com o que nos cerca?
a propósito, o que nos cerca?
nada!
a mim incomoda o nada porque preenche o que não deveria existir.
existência que em essência é vazia, inferno do paradoxo funcional!
não existe! atormenta o que vive!
qual seu referencial? o que vê?
forma?
sombra?
não vê?
diga que sente!
isso me basta.
esqueça!
em verdade não ouve!
não responderia a um apelo mudo.
deixe-me aqui.
esse é seu detalhe!
!
de fato,
as cores do mosaico revelam o detalhe a formar o que estupidamente chamamos de destino.
não me julgue por recusar a idéia que acalma aos que se acomodam... se os acontecimentos fossem condenados à fatalidade não nos teria sido concedida a escolha como dádiva.
quais são suas cores? o que escolhe? o que quer?
diga você tão acostumado às manipulações do seu destino.
o acaso enquanto "pai de toda magia" é o presente agora, e neste presente escolho minhas cores das mãos de quem pode carrega-las.
!
deixa que eu sucumba aos acenos obscenos de tuas propostas e assim me rendo...
se pela fração do teu todo gozei da adrenalina sórdida e por ser tão ilusória me deixei levar por estes deleites,
firmo agora, por quanto tardio , o inconformismo desta traição.
chega! tenta convencer teu tolo das dores ainda não sentidas, quem sabe assim conquiste no peito o baluarte desta ausência.
não entende? lamento, é que dos teus acenos levo o que é pedante e tenho como munus a imposição do respeito, a mim, ao que sou e deixei de ser no passado das horas.
não seja ridículo, quer vingar-se?!
sugiro os companheiros de sempre, café, vodka e cigarro, deita no centro da cama e grita com os dentes cravados no travesseiro de pena!
se adianta? óbvio que não, entretanto o sangue que pulsará pelas veias da cabeça trarão a vermelhidão escudeira da tua face covarde, ou não sabia que o vermelho da raiva tem o mesmo tom deste vermelho em medo/fuga?
repito, conquiste teu tolo... e torça pra que desta vez a ausência se solidifique na tua presença e no teu deleite repouse as dores ilusórias.



