outras histórias: toc 23/04/2009



[pic by bneubern]
na gaveta de relicários guardo o desorganizado da memória.
minhas lembranças são passadas com ferro a vapor e não abro mão da goma! quero manter o brilho dissimulado do transtorno obsessivo-compulsivo.
dobro cuidadosamente cada peça que compõe o monte mor, empilho todas e num movimento reverso separo cada cor.
a sobriedade azul inicia a fileira que anseia o impecável.
logística aplicada à subjetividade humana.

uma
duas
três
...
maldita geometria! 
sobra espaço, falta complemento em amnésia flagrante.
revejo cada peça memorável buscando qualquer retalho da cor fria.
frusto-me!
meus olhos resvalam no quente...
repasso o vermelho, passo, e na passada inspiro o vapor.
dobro as pontas e escorrego em palmas os frisos do tecido desbotado.
posiciono a cor no lapso e segue enfileirada ao azul.
pronto! 
deixa lá!
as peças pretas naturalmente buscam a perfeição. 
parecem marchar como soldados em formação de confronto!
uma, 
duas, 
três, 
quatro! 
impressionante!
o escuro em retalho torna ausente a costura limítrofe. 
não há frisos que aparecem no pano. plano perfeito!
resta o branco! 
goma "pra que te quero"!
neutro num giro de cores, todas as cores! um giro!
e gira, e brilha dissimulando no quente da máquina a vapor.
as palmas afastam os frisos que se escondem em cada ponta,
nas mangas 
e colarinhos. um crime!
esconde tantas cores enquanto oferece um giro não tão neutro! 
estelionato!
de qualquer forma:
uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete.
pronto.


antes um relicário de fatos ao de sentimentos
dos fatos lembramos entre imagens
já sentimentos... 
sempre à flor da pele.

e o que vestir?

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