a vida se encarrega...

[pic by bneubern]
"fumo de rolo arreio de cangalha
eu tenho pra vender, quem quer comprar
bolo de milho broa e cocada
eu tenho pra vender, quem quer comprar
pé de moleque, alecrim, canela
moleque sai daqui me deixa trabalhar
o zé saiu correndo pra feira de pássaros
e foi passo-voando pra todo lugar
tinha uma vendinha no canto da rua
onde o mangaieiro ia se animar
tomar uma bicada com lambu assado
e olhar pra Maria do Joá"

[clara nunes]




a frase aparentemente é horrível,
mas a vida efetivamente se encarrega de muitas coisas.

os pessimistas concluem:
vingança!
já notou como todo pessimista sempre tem a vingança como um fim em si mesmo?
a vingança é perseguida pelo pessimista que  vê no troco do martírio qualquer redenção que lhe sirva.

os otimistas concluem noutra obviedade:
vitória!
mas se há  vitória,
de certo 
nasce para alguém o desejo de vingança por ter perdido.
maldito antagonismo.

a vida se encarrega...
de que?
ok, não sou pessimista nem otimista.
então recomecemos
a vida se encarrega de muitas coisas
se encarrega de tornar mais cinza o que nasce de um sonho colorido.
se encarrega de tornar colorido o que nos surpreende por sua tonalidade cinza.
a vida se encarrega de transformar olhares, toques e sabores.
mas para se encarregar precisa ser um múnus.
precisa portar alguma função digna de fazer tudo aquilo que nos salta aos olhos pertencer a um novo olhar.
olhar sobre tantos outros entre outras vidas.
olhar sobre as vidas que compõe nossa única vida.
e ela se encarrega...
definitivamente se encarrega
de nos mostrar que tudo se limita ao novo olhar
ou a um velho olhar de se encarregar.
bendito antagonismo.


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