| [pic by bneubern] " vinha perto a madrugada quando em ânsias minha amada nos meus braços desmaiou" c.das neves |
seus sons me remetiam a um universo de possibilidades, um convite para o vôo sem plano de pouso.
algumas especificamente ecoaram durante anos em minha mente,
como sons que se propagavam por um universo de pensamentos por vezes desconexos.
minha estranha preferência por palavras que não se comportavam nas limitações sórdidas do aurélio, me colocou muitas vezes em discussões intermináveis.
as pessoas costumam se sentir desafiadas quando as significâncias do que efetivamente querem dizer são encontradas no conjunto de motivos precursor ao discurso.
é como despir de voz a alma e invadir essa coisa toda que aprendemos a conter desde sempre.
o fato é que nas discussões intermináveis pela desnudez da alma, as forças do acaso me impuseram um movimento contínuo desses significados divagados em motivos distintos.
ao ponto de atingirem acontecimentos guardados num canto qualquer da memória.
nesse fenômeno quase metafísico, inventei de perguntar:
seriam vicissitudes ao acaso ou o próprio acaso enquanto revés?
na obviedade tola "aureliana" alguns poderiam concluir que a pergunta é a materialização de mais um pensamento desconexo.
mas com minutos a mais de reflexão, é possível sentir alguns dos motivos precursores que desmistificaram acontecimentos falsamente protegidos pelo ponteiro do relógio.
há um lugar seguro para as lembranças que construímos por meio da extração de tantos significados?
cazuza mesmo relatou que muitos de nossos heróis morreram de overdose.
nesse caso, especificamente, o acaso acabou agindo como revés.
tudo bem que a morte é o único evento certo da vida, mas a morte de um herói, veja bem, não vemos todos os dias por ai.
é praticamente um golpe de azar.
um revés que por acaso assaltou alguma convicção não tão sólida assim,
o que por si só se opõe à construção do próprio termo "convicção".
por um outro lado alguns precisam morrer para se tornarem heróis.
dai entendo melhor renato russo quando por intermináveis sete minutos (ou mais) narrou toda trajetória de joão de santo cristo.
ele queria construir um herói e para isso semeou possibilidades de significados.
nós os extraímos por algum motivo.
materializamos um herói e o assumimos em nossas vidas.
ao ponto de corrermos para o cinema torcendo para que o diretor tenha mudado o final da história
e que agora já se transformou numa narrativa estranhamente resumida com mais de sessenta minutos.
nesse caso, especificamente, são vicissitudes ao acaso.
somos nós mesmos a sucessão dos acontecimentos significados por um motivo qualquer.
como joão de santo cristo.
e o que é melhor?
vicissitudes ao acaso ou o acaso enquanto revés?
o melhor é perguntar sempre.
para tornar dinâmica toda lembrança que não pode, nem deve ser protegida falsamente pelo ponteiro do relógio.
só assim extraímos quantos significados forem necessários
construindo cuidadosamente motivos
que nunca serão tão sólidos quanto uma convicção,
nem tão insólitos quanto uma ilusão.
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canta para mim qualquer coisa assim sobre você...