essencialidades




[pic by bneubern]
 
 
 
 
Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar
Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo

E o mundo todo se perdeu...
[m.rita]







 
 ao som de:
 
 


 
como disseram certa vez: "o essencial é invisível aos olhos" ...grande Antoine!
de fato só se pode ver bem com o coração
nisto reside todo deleite de um mero devaneio ou de um radiante encantamento.
o objetivo é a gratidão...
como não sentir gratidão quando por acaso é relevada  a obviedade em semelhança?
e sabemos que da semelhança ao universo submerso em palavras
cabe sempre um traço encantador de existência...

pelo menos é  como deveria ser.
e são tantas as essencialidades de uma "vida existida" 
que muitas vezes a falta é sustentada pela impossibilidade de se compreender.
lição primária ou talvez mera orientação para este longo exercício seria a de que
não saltam dos olhos físicos as significâncias de um verbo.
o verbo somente se interpreta quando inspiramos o suspiro de um olhar.
veja a diferença gritante entre os olhos e o olhar.
é a mesma entre existir e viver, nesta mesma ordem "diga-se de passagem".

dai surge uma sucessão de paradoxos a contornarem o raciocínio complacente sobre as paixões irresistíveis do mundo e que dispensa toda forma lógica de amar.
aliás,
existe lógica em amar ou a lógica é o viver para amar?
as respostas, quando desconexas, podem conduzir por caminhos que nunca se encontrarão
ou simplesmente revelarem que o verbo deixou de ser compreendido num pouso qualquer do olhar.
numa ou noutra hipótese as essencialidades de uma "vida existida" protagonizam o próprio anonimato.
fogem aqui e acolá pela beira do quase-abismo.   
o problema é que toda essencialidade (essencialmente) surge para ser notada,
conquanto invisível aos olhos.
nasce para ser inspirada em respeito ao suspiro do olhar.
se duvida, explique como alguém, algum dia, sentiu o arrepio sutil num pouso de olhar sobre o outro.
sim, eu sei que um arrepio é só um arrepio...
mas um arrepio sutil, minha cara,  
é uma essencialidade sentida naquele único segundo que se transforma em todo tempo do mundo.
eis a gritante diferença.
o essencial de fato é imperceptível aos olhos...
vê bem quem vê com o coração.
nisto reside o deleite do devaneio
o radiante encantamento
e o pouso de um suspiro em gratidão.
 

Um comentário:

canta para mim qualquer coisa assim sobre você...