| [pic by bneubern] |
"... às vezes é um instante, a tarde faz silêncio, o vento sopra a meu favor
às vezes eu pressinto e é como uma saudade, de um tempo que ainda não passou
me traz o seu sossego, atrasa o meu relógio, acalma a minha pressa...
me dá sua palavra, sussurre em meu ouvido
só o que me interessa"
[lenine].
às vezes eu pressinto e é como uma saudade, de um tempo que ainda não passou
me traz o seu sossego, atrasa o meu relógio, acalma a minha pressa...
me dá sua palavra, sussurre em meu ouvido
só o que me interessa"
[lenine].
à remetente certa
"apareceu um portador..."
não precisa se desculpar pela demora e aproveite para dizer ao velho chico que ele continua a par de tudo que se passa.
sei bem que silenciadores estão por toda parte e além de transformarem chuvas em tempestades ensurdecedoras, insistem em contaminar nossa terra tão fértil com as tais mesmices cotidianas...
de fato acho graça que você insista nessa mania de secar até mesmo o que é naturalmente árido. exatamente por isso te expliquei sobre a ausência de rumo das palavras.
tinha esperanças que você deixasse de se perturbar com os tantos outros que te assolam, já que tuas certezas incontestáveis sempre te serviram como escudo.
preciso dizer que teu vício não é pelo verbo necessariamente, mas pela tentativa incansável de mudar o mundo que te cerca.
não, não, não pense que te critico por isso, apenas constato que você continua querendo colorir todas as tonalidades cinzas que sempre te incomodaram muito.
sobre nosso menino guerreiro e teus estudos filosóficos [risos]... você esperava mesmo dissertar cientificamente sobre o danado?
minha cara... nós bem sabemos que entre lavadeiras e janelas repousa o encantamento de qualquer contemplação.
não se trata de uma constatação racional, mas de um suspiro sutil que assalta em uma tarde qualquer e nos carrega por madrugadas insones...
o que quero te dizer é que para alguém que reproduz com tanta exatidão a virada de todas as páginas, seria inconcebível ver tua criança se transformar no adulto racional que muitas vezes insiste em te visitar.
eu sei, eu sei, ainda não perdi a mania de achar graça nessas retóricas filosóficas que te tornam tão especial...
mas é que pelo humor de nossos diálogos aceitamos não chegar à conclusão alguma pelo simples prazer de sorrirmos sempre.
lembra daquela despedida? sorrimos em paz entre ventos de acalanto. sabíamos que a pressa de voltar seria responsável pelos abraços que nos envolveriam em tantas outras dimensões.
por isso passo a te responder:
não, eu não duvido, nem torno estático o naturalmente dinâmico.
mas aceite que é a saudade dessa ausência que nos movimenta para o reencontro. para fazer vingar a mesma flor.
se carreguei todo ar comigo, foi para manter meu transporte de retorno, minha passagem de volta... assim flutuo entre ares até um repouso que nos sirva na exata medida de toda ausência.
e qual seria a exata medida?
na ópera do malandro compreendi ser a metade afastada, exilada, amputada e por isso tanta urgência na prece de joão que clama por regresso...
no samba de cubano cadenciei um receio qualquer para acalmar toda pressa...
como pude demonstrar minha querida, ao contrário de nossas discussões inconclusivas, sigo em frente pelo há de vir.
ouço a voz da intuição na curva do universo.
provoco a razão com a fórmula do acaso e isso definitivamente é o que me interessa.
como tantos marcelos acredito que se não é pra perceber esse milagre, caberia ao amor o "não dá".
eu escolho alcance da promessa, assim me parto entre milagres.
eles sempre me serviram como argumento de esperança para o que não pode, nem deve ser racionalmente explicado...
aliás esse é o caso do nosso menino guerreiro da arma que é ligeira e forte...
o que quero dizer minha cara é que de fato tudo que nos toma o pensamento e nos arrebata entre segredos é digno de ser chamado amor...
mas para ser amor... preste atenção... eu disse ser... você é amor?
para ser o amor é preciso viver entre antagonismos e se desdobrar em tantas faces quanto forem necessárias .
transformar a saudade de uma ausência na condição única de estar entre o agora e o infinito.
é permitir na lógica do tempo todo o caos de pensamento, ser a paz na solidão...
torno a dizer: eu não duvido, nem tomo como estático o que é naturalmente dinâmico.
mas para fazer vingar a mesma flor, para ser amor e eu disse ser...
"é natural que seja assim você ai e eu aqui exatamente aqui"
"do mais o francis aproveita pra também mandar lembranças"
com saudades,
ass: ausência tua
Sobre mim!
ResponderExcluirNada a acrescentar. Aguardo outras lindas letras.
a palavra que pousa no olhar ruma por rumos inimagináveis...
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